segunda-feira

Prazeres.



Eu tenho me sentido pra baixo.
Mas não sei o verdadeiro motivo, ou talvez saiba e evite pensar que sei.
Enfim, apesar dos poréns e dos absurdos diários aos quais submetem minha linda pessoa, a vida anda nos conformes, nas gotas de suor, nas batidas de ônibus, nos beijos, no pescoço da minha menina, nas microfonias dos programas noturnos e nas letrinhas minúsculas dos livros da biblioteca.
Eu tenho redescobrido pequenos prazeres diários que o cursinho, os encontros marcados e o próprio tédio me fizeram esquecer.
O prazer, por exemplo, de acordar cedo e no caminho do ponto de ônibus sentir o vento gelado da madrugada cortar o meu corpo. Ou, indo pra escolar me deparar todos os dias com o mesmo menino loser, que também percebe a minha presença, no lado oposto da rua. Voltar pra casa ás 14h, tirar um cochilo, acordar e sentir as gotinhas geladas de água do regador baterem na minha pele quente. Ver o pôr-do-sol de cima do meu muro, escutar as crianças brincarem atrás do portão e enfim, dormir de novo e acordar para um novo dia, cheio de pequenos prazeres. E pontadas de tristezas incompreensíveis no meu coração.