
Estou deprimida com o ano de 2006.
Foi um ano tão incrível.
Acho que o melhor da minha vida.
E todas as amizades que eu tinha naquela época foram desfeitas... ou afastadas.
Por mais que eu tente não consigo voltar a naturalidade criativa e espontânea que eu tinha no ano retrasado.
E os amigos, uff.. não consigo falar com eles sem bocejar.
Ainda que eu tenha adquirido muito mais conhecimento de 2006 pra cá, sinto que deixei algo pra trás.
Talvez seja a inocência, que eu comentei acima, ou a espontaneidade, ou como tudo me inspirava. Andar de ônibus me inspirava. Sentir o vento me inspirava. Um prédio me inspirava.
Ainda que minhas idéias não fossem lá muito boas, eu sinto falta da sensação de mente cheia e barriga vazia.
Não tinha dinheiro pra nada. Eu passava fome pra comprar 1 dvd.
Hoje minha coleção é gigante.
Mas ainda falta algo. Algo que eu não devia ter perdido.
Talvez a amizade da Tailine.
Ou o modo como tudo era novo pra mim.
E agora tudo, que antes era tão novo, está tão velho e desgastado.
Eu sinto como se o mundo estivesse caindo aos pedaços com idéias inéditas-já-vistas, sentimentos inéditos-já-sentidos e filmes inéditos-já-assistidos.
E eu, só o que me resta é uma sombra fantasmagórica de uma Júlia que já foi muito mais Júlia do que é hoje.
De uma Júlia que não existe mais.
